sexta-feira, 28 de junho de 2013

União da Alma e do Corpo

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

" A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fuídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus."

Allan Kardec

- do Livro dos Espíritos - Ed: Feb

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Eu, sem noção!


O Assunto era coração. Surgiu depois que a Priscila leu na internet, que algumas pessoas têm o coração do lado direito. Assim que ela falou, automaticamente coloquei a mão do lado esquerdo, só para conferir.rss
Começamos a debater sobre o assunto, e então me lembrei da dúvida que eu tive por um bom tempo.
Aliás, não era bem uma dúvida, era o que eu “achava”.
Eu achava que quando uma pessoa doava o coração, todas as pessoas que ela amava iam junto (para a receptora do coração). Achava que ia ser a maior confusão... A receptora ia amar pessoas que ela nem conhecia. E ainda tinha as pessoas que estavam no coração dela... Iam sumir assim... Puf?
Fui contar isso para os meus colegas... Choramos de rir. Meu colega perguntou de onde eu tinha tirado essa idéia. E acha que eu sei?
Nossa como eu era sem noção, se é que posso chamar assim.
Juro que não lembro quando comecei a achar que era assim, e nem quando cheguei à conclusão de que não era. Que coisa!rss
Sei que não consigo arrumar justificativas plausíveis para tamanha falta de conhecimento, ou falta de senso, ou ingenuidade, ou insanidade, na pior das hipóteses... Burrice mesmo.rss 

P.S.: Conforme fui escrevendo cheguei a uma conclusão... É genético.
Lembro que falava para a minha mãe que pensava em doar minhas córneas.
Ela achava (ou ainda acha) que tiravam os nossos olhos.
Ficava muito brava e falava: _Vai ser enterrada sem os olhos? rss

terça-feira, 25 de junho de 2013

A casa do Santa Bárbara

Existem lugares ou situações que nos trazem lembranças boas, as vezes ruins.
E não adianta, quando elas chegam tem sempre uma voz que fica questionando. E se fosse hoje... Eu teria agido diferente? E se fosse hoje... Eu teria aproveitado melhor aquela situação? E se... E se. 
Neste exato momento, tento responder essas perguntas. Acredito que fiz o que podia, ou o que devia ser feito na ocasião. E acredito também... Foi através do que passei, ou da maneira que agi, que cheguei onde estou, que me transformei no que sou hoje. Então não posso me arrepender, pois estou bem e feliz. 
Entrei nesse assunto porque há poucos minutos a Letícia me mandou um torpedo dizendo: “Eu sonhei com a casa do Santa Bárbara, que conseguimos comprar ela de novo, ela tava bem diferente por causa da reforma, mas deixamos igual era antes... Sonhei que eu andava pelo bairro”.
A "casa do Santa Bárbara" foi a nossa 3ª morada depois da separação. Antes de chegar nela vou contar como a encontrei. Tentarei ser breve.rss
1ª morada - ficamos alojados na casa da minha irmã Adriana por mais ou menos 10 dias. 
2ª morada - aluguei uma casinha que ficava na rua de trás da casa da Adriana e que também ficava próximo à casa da minha mãe. Aluguei por um período de 6 meses.
Depois de instalados comecei o processo de venda da chácara e da casa no interior. 
Feito isso comecei a procurar uma casa para comprar. Queria se possível uma ali, no Parque Fazendinha. Seria ótimo morar perto da minha mãe e irmã. 
Apesar de não ter condições físicas, nem psicológicas me bateu o desespero... Precisava trabalhar para engordar o orçamento. Como minha mãe conhecia a dona de uma padaria do bairro, pediu um trabalho para mim. Trabalhei uma semana, foi o que aguentei. 
Mas como tudo tem um "por que"... Eu tinha que estar ali naquela semana. Um dia, atendendo o balcão, reconheci o corretor que anos atrás vendeu a casa onde minha mãe mora. Comentei com ele que estava à procura de uma casa. Dias depois ele me procurou, tinha encontrado uma casa no Parque Santa Bárbara bairro vizinho do Parque Fazendinha.  
Ela ficava uns 20 minutos a pé até a casa da minha mãe. A casa era muito grande. Olhando por fora, nem parecia. Como naquela parte do bairro ainda não tinha asfalto, a casa estava sendo vendida por um preço acessível. Eu não tinha dinheiro suficiente para comprar (mas queria aquela casa), tive que emprestar um pouco.
Tentarei descrever a casa (não sou boa nisso). Ela tinha um muro meio alto (comecei mal.rss). Os portões eram de madeira, um pequeno e um grande. Na parte superior ficavam os três quartos (sendo que dois ficavam de frente para a rua), um banheiro, a sala e a escada que nos conduzia para o piso inferior. Descendo, no final da escada tinha um espaço onde coloquei os armários embutidos. Ao lado uma sala de jantar enorme. Tinha também um banheiro e a cozinha. A porta da cozinha e a porta da sala de jantar davam acesso ao quintal. 
Ah, o quintal... Adorava o quintal. Nele tinha um banco de madeira que ficava embaixo de uma mangueira. Tinha também um pé de limão. Que delícia ficar sentada naquele banco. Que delícia tomar um suco de limão fresquinho. Quantas manhãs, tardes, noites eu passei ali sentada, conversando com um ou outro que ia lá, me visitar. Que lembrança boa. Tenho certeza de que todos quando lembram da casa, lembram daquele quintal e daquele banco.
Bom, nesse quintal tinha também um quartinho onde deixava as bagunças (bicicleta, skate e tudo que não queria que ficasse dentro da casa). Perto do tanque tinha um porão escuro, o teto era baixo, o chão de terra, paredes sem rebocar. Estava cheio de madeiras, garrafas de vidro, e outras coisas pertencentes ao dono anterior. Deixei lá.rss
A casa precisava de algumas reformas, mas nada que fosse urgente. Uma coisa que nunca trocaria nela eram os pisos da sala e dos quartos, eles eram lindos.
Mas como tudo acontecia muito depressa na minha vida, passados quase um ano após “esse” episódio, coloquei a casa à venda. Tinha bons motivos: 
1) Ela era muito grande só para mim.
2) Eu saía 7h e voltava depois das 23h, ou seja, ela ficava o dia inteiro fechada. 
3) Quando queria sair ou viajar ficava preocupada. 
4) Tinha uma dívida para pagar que só conseguiria quitar se vendesse a mesma. Essa situação me atormentava, não me deixava dormir sossegada. E pra mim, justifica a decisão que tomei. 
A venda da casa aconteceu rapidinho. O mesmo corretor que me vendeu, arrumou um comprador para ela.
Lembro que algum tempo depois voltei à casa, para levar e pegar uns papéis. O atual dono me convidou para ver a reforma que ele havia feito. Como ele comprou a casa para morar duas famílias, acabou por fechar algumas paredes e construiu outras. Lembro que fiquei decepcionada. Ele acabou com a beleza da casa. Lembro que comentei com meus filhos sobre esse episódio. Por isso minha filha comenta no torpedo que “ela estava diferente por causa da reforma”.
Respondi a mensagem da Letícia escrevendo: “Tenho saudades daquela casa. Tenho saudades daquele bairro. Tenho saudades daquele tempo. Quem sabe um dia, um de nós possa vir à comprar a casa novamente”. Não falei para ela, mas eu sei que mesmo que isso venha a acontecer, nada mais será como antes. O que sei é que apesar dos contratempos nós quatro fomos muito felizes naquela casa, naquele bairro. Sei também que o passado ficou para trás. O que restou foram as lembranças. Nesse caso... Boas, muito boas!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Manifestação popular em Campinas

Ontem a cidade de Campinas foi palco de uma passeata que teve a adesão de milhares de pessoas.  Eram pessoas de todas as idades, a maioria estudantes. Minha filha, sobrinho, enteado, amigas de trabalho estavam entre eles. Acabamos sendo liberados mais cedo do trabalho. Conforme fui subindo em direção à minha casa, passei por alguns grupos de jovens. Eles desciam em direção ao Largo do Rosário (ponto de encontro dos manifestantes), todos estavam muito animados, com seus cartazes nas mãos, alguns vestindo camiseta branca. A euforia tomava conta deles. Motoristas que passavam por eles buzinavam em sinal de apoio. Cheguei a ficar arrepiada de emoção. Passava por eles, sentia um orgulho. Queria poder aplaudir... A vontade foi grande. Boba eu.rss Confesso que deu até vontade de dar meia volta e partir com eles para protestar. Mas não o fiz por vários motivos... Um deles é não ter "um" objetivo. E sim vários. Sei que todo mundo tem insatisfações, e isto está claro quando lemos os cartazes. Eu também tenho as minhas mas nesse momento... Sem um objetivo específico fica difícil lutar. Quando é assim, como saber quando ele foi alcançado? Outro motivo é o fato não existir um líder. Como vai ser... Vou sair para a rua e ficar caminhando sem rumo? Ah, isso não é pra mim. Se for necessário vou à luta desde que tenha objetivos claros com uma meta definida. Do jeito que está sendo fica difícil. Ontem os manifestantes caminharam e pararam em frente ao prédio da prefeitura. Agora pergunto: _ Foram fazer o que ali? O prefeito com certeza não estava lá dentro. Não estou dizendo que sou contra, nada disso, só que do jeito que está sendo... Vira bagunça. E virou. Vivi a época dos “caras-pintadas” que ocasionou no Impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Lembro que houve manifestação por todo o país, como está acontecendo agora, porém existia um objetivo claro. E ele foi alcançado. Mas, e agora... Quando tudo isso vai parar?  Diante de tudo isso, tenho que concordar e assinar embaixo dos diversos textos que tenho lido em um ou outro blog de jornalistas, pessoas que tem um pouco mais de instrução do que eu, ou seja... Falam com propriedade. Eles apesar da admiração por essa “luta” do povo brasileiro, também não sabem para que rumo isto tudo está caminhando. Transcrevi abaixo alguns trechos dessas matérias:


“A desorganização dos protestos – em São Paulo, a multidão se dividiu em duas; em Brasília, ninguém parecia saber o que fazer no teto do Congresso – deixou claro que os atos não estavam sendo “coordenados” com uma agenda pré-definida ou liderados por ninguém. Melhor assim.

O “tema” dos protestos – o aumento das passagens – já ficou para trás. Os 20 centavos no bilhete foram o estopim de algo muito maior. Quem sabe, acordamos hoje para o fato de que nem tudo aqui precisa terminar em pizza.
Era até engraçado ler os cartazes dos manifestantes: uns reclamavam das passagens de ônibus caras, outros da qualidade da educação ou da saúde, muitos protestavam contra a Copa do Mundo e a submissão do Brasil à Fifa. Lembrou um velho quadro do Monty Python, em que protestantes marcavam uma reunião para marcar outra reunião para definir a data da reunião “definitiva”.
Acho normal. Há tanta coisa digna de reclamação no país, que é natural que ninguém saiba ao certo para que lado atirar primeiro.”
 André Barcinski que é crítico da Folha de S.Paulo


 “Em Brasília, manifestantes apedrejaram e tentaram invadir o Itamaraty. Foi a cena mais tensa da semana. Em determinado momento, tentaram até incendiar a entrada do prédio. No Rio, houve confrontos com a polícia. Algumas pessoas atacaram o Terreirão do Samba, um espaço cultural conhecido da cidade. O que o coitado do samba fez para ser atacado dessa maneira, ninguém sabe. Tudo que sabemos é que ninguém sabe de nada. Nas ruas, os protestos abrangem todos os temas. Um amigo disse ter visto, no Rio, alguém – certamente torcedor do meu time, o Fluminense – carregando uma faixa: “Volta, Conca!” Não é fácil viver no Brasil: corrupção, mau uso de dinheiro público, gastos exorbitantes com Copa do Mundo, educação e saúde deficientes. A lista de queixas é imensa. Mas, se for algum consolo para os manifestantes, duvido que hoje algum deles queria estar na pele dos governantes. Se você é prefeito ou governador e quer tentar estabelecer um diálogo, com quem fala? Como dialogar com um movimento sem face? As manifestações que se espalharam como fogo pelo Brasil são inéditas porque não têm uma cara. Não há um líder, uma figura que sirva de referência, um “cabeça”. Há vários movimentos independentes, mas, com a enorme variedade de temas dos protestos, ninguém “representa” – só para usar um termo muito em voga – sua totalidade.”
André Barcinski - crítico da Folha de S.Paulo

O trecho abaixo é do blog “para entender Direito” também da Folha de S.Paulo


"Dezenas de milhares de pessoas saíram do conforto de seus lares e tomaram as ruas nos últimos dias, como poucas vezes se viu na história do país. Mas, ao contrário de protestos como o pelas eleições diretas na década de 1980 e os pelo impeachment do então presidente Collor na década de 1990, não se sabe bem pelo que protestam.

Ao que tudo indica, não é pelo transporte público (ou coletivo) gratuito, que era a reivindicação inicial, quando os números de manifestantes eram significativamente menores. Tampouco parece ser apenas pela melhoria do transporte coletivo (muitos dos que estavam nas manifestações de ontem sequer usam – e talvez jamais tenham usado ou venham a usar – tal transporte).

A julgar apenas pelos cartazes, poderíamos dizer que é contra um político ou algum partido político. Mas contra qual, se todos os grandes partidos foram citados de forma pejorativa e as manifestações ocorreram em cidades e Estados governados pelas mais diversas facções políticas?

O problema de se ter uma manifestação sem um objetivo claro é que não se saberá quando o objetivo foi alcançado. Se não sabemos quando o objetivo foi alcançado, continuamos a protestar. É o protesto contra tudo e a favor de nada. É o protesto sem sentido."


Hoje pela manhã, ao descer para o trabalho a cena era essa: alguns cartazes jogados pelo chão, vi também uma bandeira do Brasil chamuscada de fogo. Na TV a reportagem mostra as imagens de pessoas destruindo o que via pela frente. Tinha também aqueles que tentavam conter estas pessoas. Essas imagens estão se repetindo pelo país afora. Muito triste ver que pessoas mal intencionadas se aproveitam da situação para fazer bagunça, para destruir.
As pessoas que conheço que estiveram presentes nessa passeata disseram que quando o clima começou a ficar tenso se retiraram. Sei que já passava das 23h e os helicópteros sobrevoavam o centro (sei porque moro perto).
Enfim... Um dia depois não sei se os manifestantes conseguiram o que queriam. Se é que sabiam o que queriam. Também ninguém sabe se haverá um outro encontro, acredito que não. Com certeza, a maioria deve estar chateada por ver a destruição que foi gerada pelos mal elementos. Talvez também porque podem ter percebido que sem objetivo e sem roteiro... Ninguém chega a lugar algum.

De todas as imagens que tenho visto escolhi essa que me emociona quando vejo. Ela e algumas outras fazem eu acreditar que temos pessoas com coração bom e bem intencionadas. Para elas... Toda minha admiração e respeito.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Como nos conhecemos

Se não me falhe a memória... Neste mesmo dia (18), há dois anos atrás eu e o Zé mantivemos o primeiro contato.
Como isso aconteceu? Vou contar:
Eu tinha um perfil em um site de relacionamento. Entrei de “gaiato”... Se bem que quase ninguém acredita, mas isso é outra história.
Era noite de Sábado (uma semana após o dia dos namorados).  Tinha preparado o jantar e estava esperando o Bruno para jantar. Enquanto isso acessei o referido site.
Estava batendo papo com um ou outro admirador quando o Zé mandou uma mensagem.
Não lembro o que ele escreveu. Cheguei a salvar nossas conversas antes de deletar meu perfil do site. Salvei no meu PC que depois dei para minha mãe. Há pouco tempo, infelizmente caiu um “raio” na casa dela, e com isso perdeu o que estava no HD e... Minhas conversas com o Zé.
Voltando ao Sábado, dia 18... Após trocarmos algumas mensagens, pedi licença para ir jantar. Não voltei mais, se não me engano, depois de jantar eu e o Bruno fomos assistir um filme. Sei que quando retornei,  vi que o Zé tinha escrito mais alguma coisa mas ele não estava mais online. Respondi e aguardei até o dia seguinte, quando então retomamos nosso bate-papo.
O Zé sempre foi muito gentil, um cavalheiro. Não chegou pedindo meu MSN ou mesmo querendo me ver pela webcam como a maioria. Conforme os dias foram passando, começamos a nos comunicar por e-mail. Depois veio o convite para amizade nos sites sociais, Facebook, MySpace e com isso passamos a nos conhecer melhor. O prazer pela música, pela dança, por praticar esportes e outros fatores começaram a nos aproximar mais e mais. Então só faltava o encontro. Como era época de festas juninas e eu estava aguada para tomar um quentão, sugeri de irmos a uma festa junina. O Zé aceitou prontamente e então marcamos o dia... 02 de Julho. Sobre este dia, que nunca mais esqueceremos falarei em outro post... Afinal merece uma atenção especial!
E foi assim que tudo começou. rss
De vez em quando eu e o Zé relemos os e-mails. Sim, o Zé salvou todas as nossas conversas. O primeiro e-mail foi enviado por mim, no dia 26 de Junho.
Porém, o que não esqueço jamais (apesar de não lembrar o dia)... Uma rosa virtual que o Zé me deu. Não sou interesseira, mas quem não gosta de receber flores? Recebi a rosa com as seguintes palavras: "Queria poder te dar flores reais". Que lindo, né? Me cativou... Me ganhou.
E para quem acha que foi só com esse intuito (me ganhar) se enganaram, pois flores ele continua dando... Até hoje.
fotos do arquivo pessoal - autor Zé Olímpio

Felicidade clandestina

     
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
      Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

(Clarice Lispector, in “Felicidade Clandestina”)

 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Desabafo 2

Meu inconformismo agora é diante do lixo que está se tornando alguns sites da internet.
Nem me importava tanto quando meu e-mail demorava um “pouquinho para abrir”. São tantas janelinhas (propagandas), sei que demora a carregar. Tsc,tsc,tsc.
Maior foi minha decepção, quando tentei, na semana passada postar uma foto no meu Facebook. Demorou... Demorou... Meu tempo esgotou... A paciência também!
Como sou brasileira e não desisto nunca, voltei a tentar.
Não foi nada fácil.
Entre uma e outra foto que postava tinha que pedir licença para as janelinhas com propagandas que surgiam. Ninguém merece!
Não sei se acontece só comigo, mas a página inicial está um lixo. Parece árvore de natal. Luzes (coloridas) piscando de tudo quanto é lado... Em cima e embaixo também. Propagandas de tudo quanto é tipo. Tudo bem fazer marketing. Mas pelo amor de Deus, isso já está demais. Agora têm até popozuda chamando pra bate-papo, isso já está se tornando apelação!!
Isso tudo demora em carregar a página. Eu não tenho paciência!!
Porém... Ainda não contentes (não sei quem são os responsáveis por essa baderna, pra não falar outro nome), invadiram até o meu cantinho. Pois é, até aqui eu tenho que ficar driblando as propagandas.  
Não sei aonde isso tudo vai parar.
O que sei é que não me agrada nada toda essa poluição visual!

Tamo Junto! - Marco Luque

No stand-up "Tamo Junto!", Marco Luque, ator e apresentador do CQC relembra histórias pessoais e faz piada sobre o cotidiano.

Sobre Marco Luque:
Há 10 anos, Luque pendurou as chuteiras de jogador de futebol, tornando-se ator. Envolvido no teatro desde a infância, ele partiu para o humor. Atualmente, além do CQC, tem um quadro na rádio Mix. O humorista fez parte do elenco da comédia "Terça Insana", apresentando personagens hilários que conquistaram o público, como o motoboy “Jackson Faive” e o taxista “Silas Simplesmente”. Trabalhou na “Companhia dos Ícones” e no “Quarteto em ri maior”. Participou do grupo Comédia ao Cubo, dublou filmes, foi locutor, fez diversas campanhas publicitárias, atuou nos espetáculos “Tudo Pela Fama”, “Quando as Máquinas Param”, “O Auto da Barca do Inferno” e “Inês”, e participou do seriado Carga Pesada, da Rede Globo. Além disso, Luque também atuou em peças do prestigiado dramaturgo Plínio Marcos. Ainda este ano poderá ser visto no cinema em dois trabalhos nas telas, ambos de Marcelo Galvão: “Bellini e o Demônio” e “Rinha”, onde interpreta Wilson, que é dono de uma das lutadoras de vale-tudo.
Após larga experiência nos palcos, descobriu recentemente seu talento de “Cara Limpa” também no stand up comedy, contando histórias de sua vida de uma forma inusitada. Argumenta assuntos do cotidiano com o público, lembra histórias de alguns acontecimentos pessoais, proporcionando a todos uma noite realmente muito divertida e engraçada.                 
Luque já se apresentou no formato “cara limpa” com o grupo “A Divina Comédia”, “Improvável” espetáculo de improviso da companhia Barbixas e “Comédia ao Vivo”. Está agendado para fazer diversos shows de stand up pelo Brasil. Sua grande paixão é a arte. Formado em artes plásticas, em breve realizará uma exposição com suas esculturas.

Foi a minha dinda que nos convidou para ir ver esse stand-up. Ela mandou um e-mail no dia 07, escrito assim: Espetáculo do Marco Luque dia 16 só, vms??
Em resposta, quando lhe perguntei sobre o que seria o espetáculo, ela respondeu: Comédia, o Marco Luque é muito engraçado, mto mesmo, vale a pena.
Eu não conhecia o Marco Luque. Já tinha ouvido falar, mas não sabia detalhes.  Mesmo não gostando de sair em noite de Domingo (gostamos de ficar em casa, deprimidos pela chegada da Segunda-feira.rss), a minha dinda nos convenceu. Como sabia que ela ia logo comprar o ingresso dela, pedimos que comprasse os nossos.
Chegou o dia, 16. Estava uma noite gostosa, sem frio, sem chuva. Quando chegamos (eu e o Zé), minha dinda e a amiga dela já estavam na fila. Não sei por que... Os ingressos são numerados. Meso assim, ficamos com elas... Na fila!
O espetáculo aconteceu às 19hs. O Teatro Castro Mendes. Sentamos na fila "P"... bem longe, mas deu para ouvir e ver direitinho.
Com certeza o Marco Luque é muito engraçado, confirmando as palavras da minha dinda. Dei muitas gargalhadas. Ele fala sobre ações cotidianas, que fazemos e nem percebemos. É lógico que conforme ele foi falando, não tinha como a gente não se reconhecer agindo da forma descrita por ele. Eis algumas "tiradas":
Tem gente que escova a língua e sempre quer ir mais fundo, até dar ânsia de vômito. E fazia gestos com caretas e sons.rss
Tem mulher que acorda de mal com a vida, virada do avesso. Não se sabe o que aconteceu durante a noite. E ele fala olhando para o público, mais direcionado aos homens, tentando minimizar o sofrimento deles. E diz: Cara... Quando isso acontece, entenda... O problema não é você... É que alguma coisa aconteceu... 
E quando ele diz que homem só precisa de 2 coisas para satisfazê-lo: Comida e Sexo.
Isso depois de falar que mulher precisa: Roupa, Bolsa, Sapato, Cartão de Crédito, etc. Muito engraçadinho.rss Mas é verdade!
Bom demais foi a encenação dele, representando a teimosia da mulher. Ele disse assim: O mocinho ao sair do carro, vira para a mocinha e fala: Fica aí! E o que ela faz? E todo o público responde: Ela sai do carro. E nessa encenação, ele faz até movimentos em câmera lenta.
Bom, adorei o Marco Luque. Apesar de eu estar longe, conseguia visualizar suas caretas e os gestos. Ele realmente é muito engraçado, dinâmico. Conseguiu transformar eventos rotineiros em 90 minutos de muitas gargalhadas.

Desabafo 1

Tem gente que só sabe reclamar!
Reclama da faculdade e não aparece!
E quando aparece quer ficar uns minutinhos e logo quer ir embora.
Chega quando a aula já está no meio e quer sair antes do final.
Quer sair não... Sai antes do final.
Sempre tem desculpas. Incrível que na semana de provas... Não tem nada disso.
Reclama dos professores, da administração, dos funcionários.... De tudo.
Não tem nem porque reclamar se não aparece... Se não faz por merecer.
Deve ter dinheiro pra jogar fora.
Ou só estuda pra conseguir um diploma?
E tem empresário que ainda valoriza mais a pessoa pelos diplomas que ela possui.
Profissionais do futuro!
Experiência... Compromisso. Parece-me que esses atributos estão fora de moda.
Eu fico vendo tudo isso... Inconformada!
Quanta irresponsabilidade.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lembranças que me atormentam

[10:36:18] Margareth: Tati... você lembra daquele episódio da minha vida: Quando eu mandei meus filhos embora de casa?
[10:37:50] Tatiane: porque eles não ajudavam neh ?
[10:42:09] Margareth: Sim... mas hoje acho que não era motivo... Não justifica minha atitude.
[10:42:29] Margareth: Eu devia estar muito louca naquela época.
[10:43:22] Margareth: Volta e meia me lembro do dia e da carinha do Bruno e da Letícia quando falei com eles.
[10:43:37] Margareth: Lembro do Danilo ter ido na Mansur levar uma cartinha.
[10:43:56] Tatiane: rsrsrsrs
[10:43:58] Margareth: E imagino como deve ter sido pra eles, ver que eu não voltava pra casa. Ou seja... Eles teriam que sair.
[10:44:20] Tatiane: minha mãe também fez comigo e com meu irmão
[10:44:29] Tatiane: é ruim mesmo
[10:44:43] Tatiane: nós não esquecemos
[10:44:51] Margareth: Vocês perdoaram ela?
[10:45:23] Margareth: Você acha que eu deveria ter uma conversa franca com meus filhos? Tentar esclarecer e quem sabe pedir perdão?
[10:48:17] Tatiane: assim ela fala que não mandou nós embora que mandou nós passarmos as ferias na casa do meu pai, mais eu tinha 10 anos e não esqueço ela ainda disse que era pra darmos um pouco de trabalho para o meu pai e que já estava cansada e iria ficar só com a minha irmã que era pequena
[10:50:54] Tatiane: eu não sinto magoas disso
[10:51:16] Tatiane: e nem foi ruim morar com meu pai, pelo contrario foi muito bom
[10:51:30] Tatiane: ele virou um pai mesmo, porque antes não era....
[10:51:59] Tatiane: minha mãe também fala que não se arrepende de ter feito isso, justamente pela educação que meu pai nos deu
[10:52:30] Tatiane: No seu caso eu não lembro direito, ele chegaram ir embora ? ficaram quanto tempo ?
[11:09:47] Margareth: Eu não lembro muita coisa... Minha irmã Silvana estava morando comigo. Com o tempo as filhas dela começaram a ir direto em casa.
[11:10:36] Margareth: Eu trabalhava aí, na Mansur. Chegava em casa, estava uma verdadeira bagunça. Na sala tinha brinco, chapinha... De tudo espalhado.
[11:10:58] Margareth: Na mesa da sala de jantar as vezes tinha até as xícaras do café da manhã.
[11:12:16] Margareth: Lembro que eu ficava nervosa, na época eu estava no auge da minha hipertensão e tinha ainda alguns sintomas da depressão, apesar de fazer o tratamento.
[11:13:38] Margareth: Quando eu chegava do trabalho, geralmente, minha irmã e "as crianças" estavam no computador, vídeo game ou televisão.
[11:14:59] Tatiane: é eu lembro mesmo que você sempre falava e que a irma também não fazia nada
[11:15:23] Margareth: Sei que eu ia pra cozinha e fazer o jantar e lavar as louças que largaram na pia e mesa, durante o dia.
[11:15:50] Tatiane: é lembro que fazia as coisas e não reclamava, não brigava
[11:15:57] Tatiane: ficava guardando as coisas pra você
[11:16:07] Margareth: É, eu achava injusto eu acordar cedo, trabalhar o dia inteiro e ainda chegar em casa e limpar a bagunça, etc.
[11:16:46] Margareth: Só que guardar as coisas para mim, deu no que deu! Explodi e coloquei todo mundo pra fora de casa.
[11:17:41] Margareth: Mas, respondendo a sua pergunta: O Bruno, Danilo e Letícia foram morar com o Rubens. Esse também foi um dos motivos que me baquearam, na época.
[11:18:10] Margareth: Minha irmã disse ter ouvido eles falarem que o Rubens tinha chamado eles para morarem com ele. E eles estavam pensando em ir.
[11:19:15] Margareth: Achei uma falta de consideração. Depois de tudo que eu tinha passado. Iam morar todos juntos, inclusive a Kátia. Isso foi demais pra mim;
[11:20:14] Margareth: A sua outra pergunta: O Bruno, voltou a morar comigo quando eu já estava no apartamento, depois de discutir com o Rubens.
[11:20:55] Margareth: A Letícia... Quando completou 18 anos o Rubens deixou ela ir morar no apartamento. Quando isso aconteceu eu já estava morando com o Zé.
[11:22:16] Tatiane: a era mesmo
[11:22:43] Tatiane: que você ficou sabendo pela sua irmã e não por eles ....
[11:24:21] Margareth: Bom, enfim... Fico procurando justificativas para a minha atitude. Para me aliviar do peso da consciência. Meu receio é, que o que fiz pode influenciar "negativamente" no futuro deles.
[11:24:48] Margareth: Sabe né, a opção da Letícia... As vezes me culpo.
[11:24:51] Tatiane: eu acho assim, o Rubens é um bom pai não é ?
[11:25:05] Tatiane: não faltou nada pra eles
[11:25:08] Margareth: O Bruno que nunca é visto com namorada. Já me questionaram sobre isso.
[11:25:18] Tatiane: então não vejo problemas
[11:26:35] Margareth: Acredito que o Rubens fez o que pôde por eles. Hoje, pelo jeito ele não é mais como era, até porque as crianças cresceram.rss
[11:27:45] Tatiane: eu não acho que isso não justifica nada, olha no meu caso, a separação dos meus pais:
Minha mãe traiu meu pai, meu irmão pegou minha mãe com meu padrasto fazendo as "coisas". Nós dois fomos mandados pra casa do meu pai....
[11:28:07] Tatiane: O ruim só foi o fator da sua propria mae estar te mandando embora
[11:29:52] Tatiane: eu não acho que este seja um fator pra definir o que os seus filhos são hoje
[11:32:02] Margareth: Assim espero. Mas definitivamente, preciso conversar com eles. Quem sabe assim essas imagens amenizem na minha memória.
[11:32:42] Tatiane: Vocês nunca tocaram neste assunto ?
[11:35:17] Tatiane: eu imagino como você deve se sentir.
Porque uma vez estavamos em casa e minha cunhada estava tal...e conversando chegamos neste assunto, meu irmão e irmã estavam em casa também e ai falamos neh na frente da minha mãe, que ela tinha nos mandado embora de casa....mais com tom de brincadeira...Pois não guardamos magoas por isso.
Depois ela falou pra minha cunhada que se sente a pior mãe do mundo quando falamos que ela tinha nos mandado embora..
[11:36:06] Margareth: ELES não... Não sei se porque não lembram ou não tenha afetado eles, como penso. EU não, porque tenho vergonha do que fiz.
[11:36:58] Margareth: Sim... é assim que me sinto. A pior mãe do  mundo.
[11:38:00] Tatiane: pergunta isso pra um deles o que vc tenha mais liberdade, pq com certeza entre eles já devem ter falado sobre isso
[11:40:33] Margareth: Tenho mais liberdade, intimidade com o Bruno. talvez faça isso.
[11:41:09] Margareth: Valeu amiguinha... Eu estava precisando desabafar. Ouvir uma opinião, principalmente de quem viveu esta fase comigo.
[11:45:21] Tatiane: Por nada amiguinha. Mais fala com ele sim.
E não se preocupe porque hoje todos os seus filhos estão de bem com a vida, estão trabalhando e tem saúde.
[11:49:32] Margareth: Verdade. E isso é o que me consola.rss
[11:51:17] Tatiane: É pensa nisso, e pensa que tem tantos filhos que tem pai e mãe juntos que tem de tudo, é são drogados, se envolvem com coisas erradas

***
Transcrevi acima o bate-papo que tive com minha amiga Tati, hoje pela manhã. Precisava desabafar.
Esse é um episódio da minha vida que gostaria de esquecer... Melhor, gostaria que nunca tivesse acontecido.
Uma atitude que tomei em um momento de desespero. Hoje, mais serena, acho que poderia ter sido diferente.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Por essa eu não esperava!

Três dias acredito serem suficientes, para (ambos os lados) acalmar e refletir.
Acabei de passar por uma situação muito chata, senão constrangedora.
Uma moradora do condomínio acabou de me ligar para fazer algumas reclamações.
Ela mora no apartamento abaixo do meu. Coitada, estava super-tensa. Confesso que durante a conversa eu também fiquei. Ela não me deixava falar. Queria desabafar tudo que a estava incomodando. Então, fiquei quieta e deixei-a despejar.
Depois que ela desligou, pensei por alguns minutos e tomei as primeiras providências.
Mandei um torpedo para o Bruno e Letícia dizendo: _Olá, tudo bem com vocês? Recebi reclamação de barulho e outras coisas no apartamento. Quero conversar com vocês. Irei no apto.na sexta-feira depois da faculdade. Vamos ter que achar uma solução. Espero que eu não tenha que voltar a morar lá para colocar ordem. Vocês já estão bem grandinhos, confiei em vocês. Me aguardem.
Com certeza eles devem estar revoltados com quem reclamou (não falei quem foi e talvez não diga). Devem estar tensos também, porque não sabem o que vem pela frente.
O que posso afirmar, é que está fora de cogitação eu voltar a morar no apartamento, escrevi  só para assustá-los.
Mandei torpedo para a moradora também dizendo que iria pessoalmente falar com meus filhos na sexta-feira. Pelo menos ela vai se acalmando.
Então agora é esperar até o dia chegar!
As reclamações:
1) Festinhas até altas horas;
2) Cachorro que corre de um lado para o outro;
3) Barulho móveis arrastando;
4) Ouvem músicas em alto volume;
5) Umidade na parede.

***

Alguns dias depois...
Sexta-feira, 14 de Junho.
Durante o dia o Bruno mandou um torpedo para confirmar se eu iria mesmo ao apartamento. Confirmei. Ele então disse que ia ligar para a Letícia ir para lá, uma vez que ela estava no pai. Perguntei se ele faria um cafezinho para mim. Adoro o café dele.rss
Tinha acabado de entregar a prova quando recebi mensagem do Bruno dizendo que estava na rua, mas já estava voltando pra casa. Assim que o Zé me pegou liguei para saber onde ele estava e se já tinha jantado.
Ele estava no Shopping (foi levar o Fernando para pagar conta), de lá iria passar para pegar a Letícia. Combinei que pegaríamos uma pizza e esperaríamos por eles.
Chegamos no apartamento por volta de 21h. A Letícia já estava lá. Como eles não chegavam comemos a pizza. Chegaram já era mais de 22h. Esperei o Bruno fazer o café e comer uns 2 pedaços de pizza. Depois fomos os três para o quarto, conversar.
Bom já havia percebido pelas atitudes da Letícia que eles estavam mudando o comportamento. A televisão estava em um volume mais baixo e ela estava toda cuidadosa... Com tudo.rss
E sobre as reclamações:

1) Festinhas até altas horas; (Não estavam mais fazendo, inclusive negaram um pedido de uma amiga para comemorar o aniversário dela no apartamento).
2) Cachorro que corre de um lado para o outro; (Dizem que não é tudo isso que a vizinha falou mas que estão evitando brincar com o cachorro... falei sobre manter as unhas dele sempre cortadas)
3) Barulho móveis arrastando; (No dia que a vizinha ligou o montador estava montando o guarda-roupa que a Letícia comprou... Azar!)
4) Ouvem músicas em alto volume; (Diminuíram... Disseram que nunca ninguém reclamou, nem mesmo a vizinha de parede)
5) Umidade na parede da cozinha dela. (Eles já tinham chamado o Síndico e o eletricista do prédio, para ver o que podia estar acontecendo, trocaram o sifão do tanque e irão aguardar para ver se  problema foi resolvido).
Percebi que o Bruno e a Letícia estão empenhados em não criar encrenca. Mas dizem que a vizinha cismou com eles. Pior que quando mudei lá soube que ela era assim. Só que enquanto eu estava lá nunca tive problemas com ela. Aliás até nos demos bem. Uma pena que esteja acontecendo tudo isso!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Final de semana tenso!

Esse final de semana foi tenso, para não dizer outra coisa.
O Zé estava mal, uma tosse que nem conseguia dormir. Fiquei agoniada vendo-o andar, de um lado para o outro. Não podia fazer nada.
Pra ajudar tinha que fazer um trabalho da faculdade (para entregar na segunda-feira), de uma matéria super chata. Na verdade nem é a matéria que é tão chata. Eu é que não curto muito estudar. Acho que já falei sobre isso aqui no Blog.  Se já não curto estudar, ficar utilizando o meu tempo livre fazendo trabalhos, lições de casa, etc., isso tudo me estressa, por demais.rss E olha que para eu me estressar demora um pouco.
Pôxa vida, eu acho que os professores deviam considerar o fato de que trabalhamos, temos família, e não podemos ficar o tempo todo em cima de um caderno. Eu pelo menos sou uma pessoa que valorizo muito o meu tempo livre, gosto de ter momentos de lazer.
Bom, enfim... Como não tem outra solução, negócio é estudar e cumprir as obrigações.
Era para eu ter começado no Sábado pela manhã, já que o Zé não estaria em casa. Ele foi com a irmã levar o pai no hospital. Mas, já viu... Fiquei na cama até tarde, depois arrumei um pouquinho aqui, um pouquinho ali e quando vi o Zé chegou.
Não estava muito preocupada, já tinha uma boa parte do trabalho digitado. Comecei a mexer nele já era umas 18h e parei perto de 20h, isso porque queria sair um pouquinho.
Não consegui dormir direito do Sábado para o Domingo. Sonhei que não tinha conseguido terminar. E com essa agonia, acordei, e por incrível que pareça sai da cama antes do Zé. Após fazer e tomar café, isso é sagrado pra mim, continuei a digitação.
Sabia que tinha compromissos... Lá pelas 13h a gente ia ao clube Nipo, mais tarde na casa dos pais do Zé (ele ia trocar o curativo do pai dele), e logo mais à noite tinha combinado jantar com minha madrinha, padrinho, Angela e o Edson em uma churrascaria.
 Ou seja, o dia estava cheio. Precisava terminar logo esse trabalho. Quando já era perto de meio dia e meia, já nos retoques finais... Não sei o que fiz, ainda não entendi, o que sei é que perdi TUDO o que fiz na manhã do Domingo.
 Sabe aquele ditado que diz que “a pressa é inimiga da perfeição”? Então... Senti na pele.  Minha vontade era de chorar, tamanho era o nervoso. Entrei rapidamente no Google para ver como podia recuperar arquivos. Instalei um programa recomendado, tentei outros meios e não consegui. Tremia de nervoso.
 O Zé ficava tentando me consolar, dizendo que talvez fosse algum sinal, etc.
Sem outra saída, decidi que não iria com o Zé na casa dos pais dele. Ficaria digitando o trabalho, novamente. O que fiz assim que chegamos da festa do clube Nipo.
Bom... Para finalizar, deu tudo certo. Antes do compromisso da noite tinha terminado e imprimido o trabalho. É claro que tudo seria mais fácil se eu gostasse do que estava fazendo, mas enfim, a vida não é feita só de flores. Têm os espinhos... As provas... As lições... Os trabalhos.  Como diz a minha irmã... Fala sério!rss


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bom dia em nome de Jesus!


Bom dia em nome de Jesus!

Foi esse o bom dia que recebi quando estava vindo para o trabalho.

Era para ser mais uma manhã como todas as outras, mas não foi. Percebi que seria diferente quando pude ver o trem passar. Literalmente.rss
É, perto de onde moro passa trem. Eu estava passando pela ponte quando o avistei ali embaixo, fazendo seu percurso, lento e silencioso.  Não me contive e parei para contemplar. Podia ter uma máquina fotográfica na mão, foi o que pensei. Pensei em pegar o celular e fotografar com ele, mas não sei usar.rss Se fosse fuçar podia perder a visão, então me contentei em "só olhar".  Fiquei ali, parada por alguns minutos. Só depois me toquei que estava um pouco atrasada. Ainda tinha que passar no Banco (gosto de ir antes do expediente de trabalho) então, acelerei.
Quando já estava próxima ao Banco, avistei um pouco mais adiante um senhorzinho. Ele estava sentado na frente de uma loja. Tinha uma aparência bastante judiada, barba por fazer.  Apesar de estar mal vestido percebi que ele não era um mendigo.    Quando estava mais próxima vi que ele tinha na mão um copo descartável com um cafezinho quentinho, dava para ver a fumaça.
Olhei para ele. Ele me olhou meio envergonhado, quis desviar o olhar. Tive a impressão que ele não se sentia digno de olhar para as outras pessoas, naquele momento, para mim. Antes que o olhar dele escapasse ao meu, sorri e falei "bom dia". Ele deu um tímido sorriso e respondeu: "Bom dia em nome de Jesus"! Fiquei arrepiada.rss
Senti uma felicidade e uma paz muito grande. E no meu íntimo respondi: Assim seja!
Continuei minha caminhada, me sentindo mais leve, não sei por que, mas foi assim.
Estou aqui pensando, é engraçado como pequenas coisas, pequenos gestos, algumas palavras podem significar tanto, podem fazer tão bem. 
Ver um trem passar e ver aquele senhor, que apesar da sua simplicidade, da sua carência e mesmo diante da dificuldade que deve ser a vida dele, dizer palavras tão belas. Tudo isso, ou só isso (como alguns podem pensar), significou muito para mim, me deu mais motivação para começar o dia mais agradecida, mais motivada, mais feliz!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ainda sobre sonhos

... essa noite sonhei que havia perdido meus filhos, os três.
Eles haviam sumido. Eu estava desesperada à procura deles.
De repente o Bruno, a Letícia e o Alexandre (meu sobrinho) que pelo jeito também estava sumido, aparecem.
Quis saber onde eles estavam. O Bruno me disse que estavam em um lugar (algo como outro país). Pra mim, eles tinham sido raptados e tinham conseguido escapar. O Bruno falou que não era nada disso.
Disse que podiam ir e vir à hora que quisessem. Então quis saber do Danilo. Porque não estava ali, com eles. Ele falou que ele não quis vir. Decidiu ficar mais um pouco.
Sei que eu fui atrás, queria tirar o Danilo daquele lugar. Um povo estranho. Um lugar estranho.
Consegui ver o Danilo. Ele disse que não poderia voltar, pois essa liberação só ocorria de meses e meses.
Lembro que me desesperei ao perceber que não gostaram de saber que eu havia descoberto aquele lugar. Queria tirar o Danilo de lá de qualquer jeito. Tinha medo de que fizessem o pior com ele. 
No meu desespero me perguntava: Porque a moçada se prontificava a ficar ali sabendo que seus familiares estavam desesperados à procura deles? O que estava acontecendo? O que estavam fazendo com eles?
E em meio ao meu desespero, acordei.
*** 
Estou pensando o que isso pode significar. Será que vi ou ouvi algo, que acarretou nesse sonho, melhor... Pesadelo?
Penso que pode ser reflexo de alguns acontecimentos, algumas dúvidas que me afligem. Talvez um pouco de peso na consciência... Talvez.
Sei lá. Sei que acordei com um sentimento de perda!